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Osteoartrite além da dor: o que a ciência está descobrindo sobre a via Wnt e a proteína DKK-1

Entenda o que acontece na osteoartrite além do desgaste da cartilagem e conheça o papel da via Wnt, da proteína DKK-1 e das novas pesquisas em medicina regenerativa.

23 de setembro de 2026

Pessoa segurando o joelho com a articulação destacada em luz, ilustrando a osteoartrite

A osteoartrite não acontece de uma hora para outra. Muito antes de uma articulação perder função ou de uma cirurgia entrar em discussão, uma série de alterações biológicas pode estar acontecendo dentro dela. Entre os mecanismos que vêm despertando o interesse da ciência está a chamada via de sinalização Wnt e uma proteína ainda pouco conhecida fora dos centros de pesquisa: a DKK-1.

Para muita gente, osteoartrite ainda é sinônimo de “desgaste da cartilagem”. Essa explicação é fácil de entender, mas hoje sabemos que ela é incompleta.

A osteoartrite, também chamada de OA, é uma doença crônica que pode envolver diferentes estruturas da articulação. Além da degradação da cartilagem, podem ocorrer inflamação da membrana sinovial, alterações no osso localizado abaixo da cartilagem e formação de osteófitos.

Na prática, isso pode se manifestar como dor, rigidez, redução da mobilidade, inchaço, estalos e dificuldade progressiva para realizar atividades que antes faziam parte da rotina. A perda de função pode comprometer independência e qualidade de vida.

Por isso, falar sobre osteoartrite apenas quando a dor se tornou intensa ou quando a cirurgia já aparece como possibilidade significa olhar para uma doença progressiva somente em uma fase mais avançada de sua jornada.

Osteoartrite é mais do que “cartilagem gasta”

Durante muitos anos, a explicação popular para a artrose foi quase mecânica: com a idade e o uso, a cartilagem se desgastaria.

Hoje, a ciência olha para a doença de maneira muito mais ampla.

Idade, excesso de peso, lesões articulares e alterações biomecânicas estão entre os fatores associados à OA. Mas pesquisadores também vêm estudando os mecanismos celulares e moleculares envolvidos em sua progressão.

É justamente aqui que aparece um tema pouco conhecido pela população: a comunicação entre as células da articulação.

Nosso organismo possui diferentes vias de sinalização celular. Podemos imaginá-las como sistemas de comunicação que dizem às células quando crescer, se diferenciar, produzir determinadas substâncias ou responder a mudanças no ambiente.

Uma dessas vias é chamada Wnt.

O que é a via Wnt?

A via Wnt participa de diversos processos biológicos e também está envolvida na manutenção dos tecidos articulares.

Quando sua atividade se altera, ela pode interferir no comportamento dos condrócitos — as células da cartilagem —, da sinóvia e do osso subcondral.

Pesquisas experimentais mostram algo particularmente interessante: o equilíbrio parece ser fundamental.

Uma ativação excessiva da sinalização Wnt pode favorecer alterações associadas à degradação da cartilagem. Por outro lado, uma supressão excessiva dessa mesma via também pode ser prejudicial. Em outras palavras, não se trata simplesmente de “ligar” ou “desligar” a Wnt: a homeostase articular depende de uma regulação muito mais sofisticada.

É justamente por isso que a via Wnt passou a ser estudada como um possível alvo para novas estratégias relacionadas à osteoartrite.

E é nesse sistema que encontramos a DKK-1.

Afinal, o que é DKK-1?

DKK-1 é a abreviação de Dickkopf-1, uma proteína produzida naturalmente pelo organismo.

Ela funciona como um dos reguladores da via Wnt/β-catenina, interagindo com receptores envolvidos nessa sinalização e podendo reduzir sua ativação.

Parece um detalhe de biologia molecular, mas essa interação vem sendo investigada porque a via Wnt participa de processos relacionados à cartilagem, ao osso e à remodelação articular.

Um estudo realizado com pacientes com osteoartrite de joelho encontrou concentrações de DKK-1 no plasma significativamente menores nos pacientes com OA do que em controles saudáveis. Além disso, dentro do grupo com osteoartrite, menores níveis de DKK-1 apresentaram associação com maior gravidade radiográfica da doença.

É uma descoberta interessante, mas é importante entender corretamente o que ela significa.

Associação não é o mesmo que causalidade.

O estudo não demonstra que simplesmente aumentar DKK-1 impedirá a progressão da osteoartrite. Ele reforça, porém, a hipótese de que essa proteína e a regulação da via Wnt participam da complexa biologia da doença e merecem investigação.

Esse cuidado na interpretação é especialmente importante porque a atividade da Wnt precisa permanecer equilibrada e os efeitos da DKK-1 podem variar conforme tecido, contexto biológico e condição estudada.

E o que as plaquetas têm a ver com DKK-1?

Aqui a história fica ainda mais interessante.

As plaquetas são conhecidas principalmente por sua participação na coagulação, mas também armazenam e liberam diversas moléculas biologicamente ativas.

Estudos demonstraram que plaquetas ativadas podem liberar DKK-1. Em experimentos laboratoriais, a ativação plaquetária provocou rápida liberação dessa proteína. Essa observação abre uma nova frente de investigação dentro das terapias autólogas, aquelas produzidas a partir do próprio sangue do paciente.

E ajuda a entender por que a medicina regenerativa está deixando de olhar apenas para a quantidade de plaquetas e começando a investigar também quais moléculas são liberadas, em que concentração e por meio de quais mecanismos biológicos elas podem atuar.

Do PRP convencional à modulação biológica direcionada

O PRP — plasma rico em plaquetas — já é conhecido em diferentes áreas da medicina.

Mas concentrar plaquetas não significa necessariamente obter sempre o mesmo produto biológico. Método de preparo, concentração celular, forma de ativação e composição final podem ser diferentes entre tecnologias.

É justamente nesse ponto que surgem dispositivos desenvolvidos para explorar mecanismos específicos de ativação plaquetária.

O WINT™, tecnologia da Biovico disponível no Brasil por meio da Rooter Medical, utiliza um sistema de separação de sangue autólogo com esferas de borossilicato destinado à ativação seletiva das plaquetas. Segundo a documentação técnica do fabricante, essa ativação promove liberação de DKK-1 e permite obter um produto autólogo enriquecido nessa proteína.

O material técnico apresenta ainda resultados experimentais de redução da β-catenina e da expressão de genes associados à sinalização Wnt após utilização do produto obtido com o sistema.

Esses dados são relevantes para compreender a proposta biológica da tecnologia, mas não devem ser interpretados isoladamente como prova de prevenção, reversão ou cura da osteoartrite.

Essa distinção é essencial.

É possível impedir a progressão da osteoartrite?

Essa provavelmente será uma das perguntas mais importantes dos próximos anos.

Hoje, seria incorreto afirmar que existe uma terapia capaz de simplesmente “desligar” a osteoartrite ou regenerar de maneira garantida uma articulação já degenerada.

Ao mesmo tempo, a pesquisa está avançando de um modelo focado quase exclusivamente no controle dos sintomas para uma compreensão muito mais profunda dos mecanismos envolvidos na doença.

A própria via Wnt já vem sendo investigada como alvo terapêutico. Estudos clínicos com outras moléculas moduladoras dessa sinalização demonstraram que interferir nesse sistema é uma linha real de pesquisa em osteoartrite.

Isso não significa que todas as tecnologias que atuam direta ou indiretamente sobre Wnt sejam equivalentes. Significa que compreender e modular os mecanismos biológicos da osteoartrite é hoje uma importante fronteira científica.

O tratamento da osteoartrite está mudando?

Talvez a maior mudança esteja na própria pergunta.

Durante muito tempo, a conversa foi: “Como controlar a dor deste paciente?”

A ciência começa a permitir perguntas mais amplas:

  • O que está acontecendo biologicamente dentro dessa articulação?
  • É possível preservar função por mais tempo?
  • Quais pacientes podem se beneficiar de estratégias não cirúrgicas?
  • É possível compreender melhor os mecanismos envolvidos na progressão da doença?

Medicamentos, fisioterapia, controle de peso quando indicado, atividade física orientada, viscosuplementação com ácido hialurônico, terapias autólogas e outras abordagens podem fazer parte do manejo, dependendo do paciente e da avaliação médica.

Não existe uma única estratégia adequada para todas as pessoas.

Mas existe uma mudança importante de perspectiva: osteoartrite não precisa ser uma conversa que começa somente quando a mobilidade já foi perdida.

Quanto antes compreendermos a doença, seus fatores de risco e suas possibilidades de manejo, maior será a capacidade de discutir preservação de função e qualidade de vida ao longo dos anos.

E, entre as novas fronteiras dessa discussão, Wnt e DKK-1 são dois nomes que provavelmente ouviremos cada vez mais.

Informação responsável também faz parte da inovação

Na Rooter Medical, acreditamos que levar novas tecnologias ao mercado deve caminhar junto com educação científica e acesso à informação de qualidade.

Por isso, este é o primeiro conteúdo de uma série dedicada à osteoartrite, preservação da mobilidade, medicina regenerativa e novas fronteiras da ciência articular.

Nos próximos artigos, vamos explicar de maneira acessível temas como ácido hialurônico, PRP, terapias autólogas, DKK-1, via Wnt e as diferenças entre tecnologias utilizadas atualmente no tratamento da osteoartrite.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica.

Referências

  1. Lories RJ, Monteagudo S. Is Wnt Signaling an Attractive Target for the Treatment of Osteoarthritis? Rheumatology and Therapy. 2020;7:259-270. DOI

Sobre o autor

Rooter Medical

Distribuidora brasileira de implantes cirúrgicos, biomateriais, OPME e medicina regenerativa. Tecnologia de alto nível e suporte técnico para cirurgiões, hospitais e operadoras.

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